SOUSA, Jorge Pedro. Fotojornalismo Performativo - o serviço de fotonotícia da agência Lusa de informação. Tese de doutoramento, 1997 (pág. 25 – 51). In: http://www.bocc.ubi.pt/ Acesso: dez 2006.
Percebe-se que no mundo da informação, a comunicação e a percepção das imagens passam a ser cada vez mais complicadas e superficiais. Dessa forma, os indivíduos passaram a consumir informações prontas, não dando importância e consequentemente desvalorizando a astúcia e o conhecimento, prejudicando a qualidade na assimilação dos fatos apresentados.
O fotojornalismo está inserido num contexto aparentemente industrial em relação à produção simbólica. Gera diversos sentido nas interpretações, podendo causar um impacto decorrente da imposição do observador frente ao contexto social relacionado a ele.
As fotografias possuem valores que confluem nas funções de “espelho da realidade” e de “verdade”, originado dos jornalistas ou fotojornalistas que são influenciados pela ideologia da objetividade. Além disso, a fotografia poderá transformar-se num local de coexistência e cumplicidade com o real, quando o observador aprender a ler as fotos e o fotógrafo aprender, a fotografar.
No texto de Jorge Pedro Sousa “Fotojornalismo Performativo”, observa-se que existe uma influência dos meios de comunicação na percepção e na cultura do receptor. Através de citações de autores como: Walter Lepman, José Manuel Susperegui, Margareth Ledo Andrión, Roland Barthes e muitos outros, Sousa defende a Importância e a relevância da fotografia no jornalismo e fala da necessidade do processo fotojornalístico de produção de informação na atualidade. Segundo ele as fotografias jornalísticas não são simples acontecimentos emergentes, são signos sob a forma de imagens fixas.
O autor considera como realista a imagem fotográfica que se orienta para a realidade, a que tem uma intenção e ambição de objetividade e no decorrer do texto ainda inclui a foto e o seu exercício decorrente que é o fotojornalismo, como patrimônio simbólico da humanidade.
Por isso que é importante refletir como são produzidas as fotografias (incluindo as que são alteradas e modificadas e que se passam por fotografias), e principalmente na maneira como são usadas e consumidas. Devido as diferentes leituras, as diversas interpretações, enfim, a forma como cada um interpreta a mensagem da fotografia, surgem cada vez mais signos.
Além de representar a realidade, a fotografia a cria, tornando-se capaz de distorcer nossa imagem no mundo representado e no momento que são difundidas pela mídia, ganham uma força maior, mais credibilidade - porque como diz Sousa, o senso comum acredita no que vê. Para eles a fotografia simboliza a verdade, dessa forma não vêem a possibilidade de se manipular uma imagem.
Devido a isso, podemos perceber a capacidade da fotografia em informar e despertar o interesse de qualquer um. A fotografia aprisiona pessoas à multiplicidade e ao congelamento de um momento que pode ser guardado para toda a eternidade.
Ao “congelar” pessoas, coisas ou situações em instantâneos, a foto funciona como um repetido testemunho que aquele instante já passou, não existe mais, desapareceu para sempre, morreu.
No jornalismo, por exemplo, o ato fotográfico é muito importante. A sua interferência determina a imagem que está em exposição. O fato da fotografia trazer a realidade é o que faz com que seja utilizada no jornalismo. A conexão da fotografia com a realidade é indiscutível.
Entretanto, no texto o ato fotográfico pode ser visto como ato agressivo, porque de alguma maneira acaba controlando imagens de pessoas ou com pessoas - sendo assim uma forma de poder. A “violação simbólica” citada pelo autor converte o mundo em observadores e consequentemente, em observados.
Jorge fala também dos novos padrões culturais e de sua representação na pós-modernidade. Segundo ele para interpretar ou entender a mensagem é preciso estar por dentro do contexto cultural. “Aqueles que não fizerem um esforço para aprender a linguagem das imagens e das linguagens multimédia serão os novos analfabetos do futuro”.
De qualquer forma, por mais complexa que seja definir o fotojornalismo como fala o autor, não se pode esquecer que o texto sempre acompanha a fotografia, sendo um suporte de conotação da imagem, podendo conciliar-se de diferentes modos. Mesmo com os avanços tecnológicos que são fáceis de induzir imagens diferentes da realidade, a legenda sempre será um suporte de interpretação e conotação da imagem fotojornalística.
Para Román Gubern trazido no texto, a tecnologia altera, manipula e distorce as representações fotográficas do mundo em torno de sete processos: Abolição dos estímulos não ópticos e do movimento; alteração da luminosidade, das cores, etc.; representação bidimensional de um espaço tridimensional; delimitação do espaço pelo enquadramento; estrutura granular e descontínua do suporte; e possibilidades de alterar a escala de representação.
Por causa disso, cada dia que passa será mais difícil exercer qualquer tipo de controle sobre as imagens, o que com certeza irá acarretar em problemas à moral e às ciências que as estudam.
Além de Gubem, o texto traz também autores que falam da relação da fotografia com a semiótica aplicada, abordando assuntos relacionados à semiótica peirciana. Partindo do pressuposto que a fotografia é um signo, Dubois propõe a classificação da fotografia como índice. Já Joan Costa diz que a particularidade da fotografia residiria na sua capacidade de produzir imagens icônicas.
Ao mesmo tempo em que a fotografia funciona como ícone, ela realiza-se como tal, por um lado, ela reproduz a realidade através de uma aparente semelhança, e por outro, tem uma relação causal com a realidade, devido ás leis da ótica; ou seja, ela nos mostra o presente, atualiza nosso passado e nos traz de fato para o presente.
É possível ver no texto elementos expressivos na estética fotográfica. Um dos que pode ser destacado é a estética do ruído que consiste na utilização significante de elementos como o grão ou a distorção. Relacionando questões da objetividade e da verdade em fotografia com a iconicidade, podemos entender o grau de semelhança entre o objeto e a sua representação como uma fotografia a cores que passa muito mais realidade, isto é, mais icônica do que uma preto-e-branco.
Quanto ao tempo de leitura da imagem, Sousa afirma que quem determina esse tempo é o observador. As imagens podem ter efeitos a longo prazo e isso pode ser comprovado, devido aos seguintes requisitos: Enfaticidade - as fotografias tendem a ser nítidas, tornando o fato principal imediatamente reconhecido; Relevância - as fotografias representam os aspectos mais significantes do assunto; e Oportunidade – As fotografias são obtidas no “instante decisivo” .
Por fim, podemos concluir a partir desse texto que antes de qualquer coisa a fotografia é indício do real. A fotografia, enquanto documento, existe porque um acontecimento realmente se produziu, a menos que seja uma foto manipulada, truncada. De qualquer forma, ela pode ser uma fonte de informação e comunicação, pois fornece provas e indícios acerca da realidade. Não que a realidade fotográfica satisfaça (necessariamente) a verdade histórica, mas ao registro expressivo da aparência, por isso pode ser considerada múltipla.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
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