O que vem a ser cultura? Segundo o minidicionário da Língua Portuguesa: Cultura é o conjunto de experiências e realizações humanas (costumes, crenças, instituições, produções artísticas e intelectuais) que caracterizam uma sociedade. Todo mundo tem cultura? Ou será que ela só é característica da classe abastada? De forma alguma. Se levarmos ‘em conta’ a definição dela, podemos perceber que não existe uma distinção entre rico e pobre em relação a ela. A partir do momento que chegamos ao mundo pertencemos a uma cultura, seja rico ou pobre, bonito ou feio, independente de qualquer coisa, a cultura já pertence a nossa história, a cultura explica a nossa história. Querendo ou não fazemos parte dela e ela de nós.
O documentário Quixabeira – da roça à indústria cultural, foi produzido pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB) sob coordenação do jornalista Paolo Marconi. A principal temática abordada no documentário é a cultura popular, onde estão envolvidas as classes altas e baixas representadas pelos músicos e roceiros respectivamente.
A cultura popular está associada a grande massa, às classes excluídas socialmente, dominadas por uma minoria. Ela não está ligada ao conhecimento científico, muito pelo contrário, diz respeito ao senso comum, a erudição vulgar ou espontânea.
O projeto Quixabeira foi fundado pelo músico Bernard Van Der Weid, carioca, filho de suíços, que se interessou pela maneira com que aquelas pessoas preservavam a cultura. Com a preservação da cultura popular quem sai ganhando somos nós mesmos por que a partir daí pode-se saber o porque do modo da gente se vestir, de falar e agir. Reconhecemos a nossa identidade cultural podendo encontrar respostas e explicações sobre nossa origem e nossos costumes.
O que não acontece tanto quanto deveria acontecer. As pessoas nunca dão valor ao que tem, sempre o que vem de fora é mais valorizado, é mais reconhecido, ou então apenas o que se tem um reconhecimento global que as pessoas passam a dar uma significação. No documentário, por exemplo, vemos isso claramente. O Cd gravado não teve uma repercussão boa. As composições dos Quixabeiros só passaram a ter mérito a partir do momento que uma das cópias foi parar nas mãos do músico Carlinhos Brown que ficou bastante animado com as músicas e teve a idéia de juntar três delas e formar uma única canção com o título Quixabeira.(Alô meu Santo Amaro, Vinha de Viagem e Amor de Longe).
Em seguida foi gravada por outras vozes do capitalismo como Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Carla Visi da Banda Cheiro de Amor. Mas ainda assim não ouvimos falar dos quixabeiros, mesmo após o sucesso de suas canções eles continuam pobres e persistem em trabalhar roçando a terra seca todos os dias com a enxada.
Quixabeira é uma árvore que independente da época do ano está verde, ou seja, mesmo quando as condições oferecidas pela natureza são totalmente adversas, ela insiste em florescer. É o que acontece com a comunidade da quixabeira, que por mais ignorada pela indústria cultural, mesmo sofrendo preconceito, as raízes dela tornam-se mais profundas e resistentes.
Com toda musicalidade, religiosidade e folclore, a cultura dos quixabeiros é defendida e preservada com muito esforço e união por parte dos grandes músicos que estão escondidos pela vegetação essencialmente rasteira e que até então são desconhecidos. Eles expressam o mundo deles através da música, falando de suas vidas, revelando as próprias histórias.
Com um tom predominante polêmico esse documentário mostra um pouco da nossa cultura desconhecida e a questão dos direitos autorais das composições que foram gravadas por Carlinhos Brown junto com outros famosos.
A intenção de produzir o documentário foi de educar a população, mostrando o quanto é prestigioso reconhecer as nossas próprias crenças, os nossos valores. Através desse documentário podemos perceber e reconhecer o quanto é elogiável e bacana a iniciativa das pessoas que colaboraram com o desenvolvimento do projeto e que se dedicaram para que o trabalho e a arte daqueles “roceiros” fosse reconhecida. Essa iniciativa é muito importante e representativa do ponto de vista cultural e social, ainda que não se tenha uma repercussão mundial como deveria.
Não é negando as nossas raízes que vamos ser consideradas pessoas do bem ou melhores que outras, ainda que dominadas pelos ditames da cultura massificada, temos que reverter isso, ter brio de nossa origem e antes mesmo de se ter orgulho precisamos conhecer e valorizar o que de fato nos torna ricos. O nosso valor, a nossa identidade cultural.
Luciana Araújo Silva
Fiz este texto sobre o documentário "Quixabeira - da roça à industia cultural", para a disciplina Análise do Discurso Midiático no Segundo Semestre.

Um comentário:
Excelente texto, Luciana. Mesmo no 2º semestre você escreve muito bem. Estou no 6º de Jornalismo e vou fazer uma prova da disciplina Cultura Popular e Brasileira e o documentário será um dos assuntos da prova. Procurei na internet algo para refrescar minha memória sobre o documentário e seu texto fou bem fiel ao filme. Parabéns.
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